Eval no Olhômetro (Vibe-Check Eval) é um smell de IA, ou seja, um sinal de problema em sistemas com LLM, do grupo Operação. A qualidade é medida testando cinco perguntas na mão antes do deploy.
Uma empresa de recrutamento usa um modelo para pré-triar currículos. Antes de cada mudança, a coordenadora roda cinco currículos que ela conhece bem e confere se a nota “faz sentido”. A mudança da semana passada foi aprovada assim:
Teste do prompt v8 (5 currículos):- Ana, dev sênior: 9 (ok)- Bruno, júnior: 5 (ok)- Carla, analista: 7 (ok)- Diego, estágio: 4 (ok)- Elisa, sênior: 8 (ok)Aprovado. Pode subir.
Três meses depois, uma auditoria interna mostrou que candidatos de um estado inteiro recebiam notas sistematicamente mais baixas. O prompt v8 tinha acrescentado “valorize experiência em empresas de referência”, e o modelo associava “referência” a empresas de duas capitais. Nenhum dos cinco currículos de teste era daquele estado.
Isso não é exclusivo de LLM. Em 2018, a Amazon descontinuou uma ferramenta interna de triagem que penalizava currículos com sinais associados a mulheres, como a palavra “women’s”. O viés só ficou visível quando alguém mediu por grupo, não quando alguém “olhou se fazia sentido”.
Sinais de Eval no Olhômetro:
A qualidade é avaliada por uma pessoa olhando poucos exemplos.
Os exemplos são sempre os mesmos, escolhidos por conveniência.
Não há resposta esperada escrita, só a sensação de que “faz sentido”.
Não há número antes e depois para comparar.
Ninguém olha resultados por grupo ou categoria.
flowchart LR
C["1. Mudança no prompt"]:::tool --> V((("2. Uma pessoa olha 5 casos"))):::human
V --> D["3. Deploy"]:::tool
D --> P[("4. Milhares de casos reais")]:::store
P --> B(["5. Viés descoberto meses depois"]):::io
Uma mudança é feita.
Uma pessoa confere poucos casos que conhece.
Parece bom, e a mudança sobe.
Em produção, os casos são muito mais variados.
O problema aparece tarde, e sem dado para dizer desde quando.
Por que acontece
É rápido e parece suficiente. Cinco casos levam cinco minutos.
A pessoa conhece bem o domínio. O julgamento dela é bom, mas cinco casos não mostram padrões.
Montar eval parece trabalho de pesquisa. O time não sabe por onde começar. Comece por O que é um eval.
Problemas de distribuição são invisíveis em poucos casos. Viés, categorias raras e regressões pequenas só aparecem com volume.
Erro comum: dataset de ouro que é a lista de favoritos
Duzentos casos escolhidos “porque são representativos” pela mesma pessoa ainda são olhômetro com mais linhas. Falta amostragem de produção, categorias raras de propósito, e atributos de grupo (estado, senioridade, tipo de vaga) para o recorte. Se ninguém anotou o estado, ninguém mede o viés do estado.
Em Mata v. Avianca (2023), advogados entregaram petição com jurisprudência inventada pelo ChatGPT. O texto “parecia” uma peça jurídica. Ninguém tinha um conjunto de casos em que a citação precisava existir de verdade. Olhômetro aprova forma; eval cobra fato.
Quanto custa ignorar
Regressões silenciosas. Quedas de alguns pontos passam sem ninguém ver.
Viés e discriminação. Em decisões sobre pessoas, um viés não medido pode ser ilegal, e a LGPD dá ao titular o direito de pedir revisão de decisões automatizadas.
Decisões por opinião. “Ficou melhor” contra “ficou pior” sem número.
Um eval pequeno já muda a conversa. Trinta currículos reais, com nota esperada e estado anotado, mostram o que cinco favoritos escondem. Não é o dataset final. É o fim do “pode subir” no feeling.
Sempre. Um conjunto de casos reais com resposta esperada, corrigidos automaticamente, com resultado por categoria e por grupo relevante. Destinos: Bancada de Evals e Dataset de Ouro.
O caminho curto, se você tem meia hora nesta semana:
Amostragem de produção, não os casos que o time gosta.
Resposta esperada escrita (nota, classe, trechos que precisam aparecer).
Rodar a versão antiga e a nova no mesmo conjunto.
Olhar o número total e o número por grupo. Se um estado caiu e o resto subiu, a média mente.
A leitura manual continua: ela descobre falhas que a métrica ainda não cobre. Os achados viram casos novos. Sem o eval, a leitura decide o deploy. Com o eval, ela alimenta o dataset.
O que você ganha
Um número antes e depois de cada mudança.
Resultados por categoria e por grupo, que mostram vieses e regressões localizadas.
A experiência da pessoa do domínio vira rótulos e rubricas, não uma checagem de cinco minutos.
Quando ignorar
Exploração inicial. Olhar exemplos é ótimo para entender o problema. Só não substitui um eval na hora de decidir.
Complemento ao eval. Ler saídas de vez em quando continua útil para achar problemas que nenhuma métrica captura. Junto com o eval, não no lugar dele.
É esse smell?
Perguntas rápidas
O que é Eval no Olhômetro?
Eval no Olhômetro (Vibe-Check Eval) é um smell de IA, ou seja, um sinal de problema em sistemas com LLM, do grupo Operação. A qualidade é medida testando cinco perguntas na mão antes do deploy.