Planejar e Executar (Plan-then-Execute) é um padrão de projeto de IA para apps com LLM e agentes, do grupo Comportamento de agentes. Escrever o plano inteiro antes e executar os passos com um modelo mais simples ou com código.
Escrever o plano completo antes de agir e depois executar os passos com código ou com um modelo mais simples. Serve para tarefas longas em que a ordem dos passos pode ser decidida no começo e o custo de decidir a cada volta é alto.
Em uma frase
Um roteiro de viagem feito na noite anterior: de manhã, é só seguir a lista em vez de decidir cada rua no cruzamento.
Problema
Diana cuida de um agente de navegador que emite segundas vias de contas em portais de concessionárias. Cada tarefa tem os mesmos movimentos em portais diferentes: entrar, achar a área de faturas, filtrar o mês, baixar o PDF, voltar.
O agente fazia tudo em Loop ReAct, com o modelo grande decidindo cada clique olhando a tela. Funcionava, mas cada tarefa custava dezenas de chamadas ao modelo maior, e de vez em quando ele se distraía com um banner e esquecia o mês pedido.
Além disso, o plano nunca ficava visível. Quando uma tarefa falhava, não dava para saber se o problema era a estratégia ou a execução de um passo. O time revia traces de 40 cliques para achar o momento em que a estratégia tinha saído dos trilhos.
A pergunta que este padrão responde: como separar decidir o que fazer de fazer, para que cada parte seja mais barata, mais previsível e mais fácil de inspecionar?
Solução
Divida em duas fases:
Planejar: um modelo capaz recebe a tarefa e o contexto disponível e escreve um plano estruturado: passos numerados, o objetivo de cada um, as entradas e o critério de que o passo deu certo.
Executar: cada passo é feito por código, por um modelo menor ou por um agente curto com escopo restrito. O executor não decide a estratégia; ele cumpre o passo e informa o resultado.
Se um passo falha ou o resultado não bate com o esperado, a execução para e o planejador é chamado de novo com o estado atual. Esse replanejamento precisa de teto: duas ou três voltas, não um loop infinito de planos novos.
O plano é um artefato: dá para mostrar a uma pessoa antes de executar, guardar no trace e comparar entre execuções. Xu e colegas chamaram uma ideia próxima de ReWOO (2023): raciocinar sem observar a cada passo, para não pagar o modelo grande em toda observação. Aqui a ênfase é o plano como objeto que o código valida e o executor cumpre.
Exemplo trabalhado
Tarefa: “baixar a fatura de agosto da concessionária X, conta 4419”. O planejador devolve:
{ "goal": "PDF da fatura 08/2026 da conta 4419", "steps": [ { "action": "open", "target": "https://portal.x.exemplo/login", "success_check": "url contém /home" }, { "action": "fill", "target": "#conta", "value": "4419", "success_check": "campo conta = 4419" }, { "action": "click", "target": "a.faturas", "success_check": "título da página é Faturas" }, { "action": "click", "target": "a[data-mes='2026-08']", "success_check": "arquivo .pdf existe e nome contém 2026-08" } ]}
O executor é código: open, fill, click, download. A checagem do último passo não é “a página parece certa”. É “existe um PDF cujo nome contém 2026-08”. Se o portal mudou o seletor, o passo 3 falha, o código para e o planejador recebe o HTML atual. Sem essa checagem, o executor marcaria sucesso num comprovante de julho.
Suponha, para ilustrar, 8 cliques por portal e um modelo grande a cada clique no ReAct. O caminho feliz deste padrão é uma chamada ao planejador mais 8 ações de código. O modelo grande volta só quando um passo quebra.
Estrutura
flowchart TD
T(["1. Tarefa"]):::io --> P(["2. Planejador: modelo capaz"]):::llm
P --> PL[("3. Plano estruturado")]:::store
PL --> H{"4. Precisa de aprovação?"}
H -->|sim| A((("Pessoa revisa o plano"))):::human
H -->|não| E["5. Executar passo"]:::tool
A --> E
E --> V{"6. Passo deu certo?"}
V -->|sim, há próximo| E
V -->|não| P
V -->|último| OUT(["7. Resultado"]):::io
A tarefa chega com objetivo e contexto.
Um modelo capaz escreve o plano inteiro, sem executar nada.
O plano é um objeto: passos, entradas, critério de sucesso de cada um.
Planos com efeitos sensíveis podem passar por uma pessoa antes de rodar.
Cada passo roda com o executor mais simples que funciona.
O código confere o critério do passo. Falha leva de volta ao planejador com o estado.
Com todos os passos feitos, o resultado sai.
Pseudocódigo
schema Step { id: int, action: "open" | "click" | "fill" | "download" | "extract", target: string, value: string?, success_check: string }schema Plan { goal: string, steps: list[Step] }function run(task): plan = llm(PLANNER_PROMPT, task, model="large") -> Plan # 2 e 3 trace.span("plan", plan) if plan.has_side_effects(): human.approve(plan) # 4 for step in plan.steps: result = execute(step) # 5. código ou modelo pequeno if not check(step.success_check, result): # 6 plan = llm(REPLANNER_PROMPT, task, plan, step, result, model="large") -> Plan return run_from(plan, state) # replanejamento, com teto return collect_results() # 7function execute(step): if step.action in ["open", "download"]: return browser.do(step) # código puro return llm_with_tools(EXECUTOR_PROMPT, [browser], step, model="small")
Cenários reais
Pesquisa profunda com citações. O plano lista as subperguntas antes de qualquer busca. Cada subpergunta é executada por um subagente, e o plano fica no relatório como metodologia.
Extração de NF-e e contratos. O plano lista os campos (emitente, totais, impostos) e o critério de cada um. A extração em si pode ser código mais um modelo pequeno; o planejador não relê o XML a cada campo.
Portais repetitivos (hipotético). O plano de cada concessionária é escrito uma vez e executado por código e por um modelo pequeno. Só quando um passo falha o modelo grande volta. Serve para segunda via de conta, DAS, extrato da Receita: o roteiro muda pouco entre meses.
Aplicabilidade
A tarefa tem muitos passos, e a ordem pode ser decidida no começo.
Boa parte dos passos é mecânica e pode rodar com código ou modelo menor.
Você quer mostrar o plano a uma pessoa antes de agir.
O custo do modelo grande decidindo cada volta pesa.
Quando não usar
O próximo passo depende muito do resultado do anterior, e o ambiente é imprevisível. Use Loop ReAct. Um incidente ao vivo, com logs mudando a cada minuto, é ReAct; um portal de fatura que você já mapeou não é.
A tarefa é curta. Planejar custa uma chamada que não se paga. Classificar um ticket em três categorias não precisa de plano.
O caminho é sempre igual em todas as tarefas. Escreva a chain em código uma vez: veja Encadeamento de Prompts. Se o plano sairia idêntico toda vez, você está pagando um modelo para reescrever o que o código já sabe.
Como implementar
Defina o schema do plano: tipos de ação, entradas, critério de sucesso de cada passo.
Escreva o prompt do planejador com o contexto disponível e exemplos de bons planos. Mostre também um plano ruim (passo impossível, checagem vaga) e diga por que ele seria recusado.
Valide o plano em código: ações conhecidas, número de passos dentro do limite, ids únicos, sem ciclo se houver dependências.
Implemente executores por tipo de ação, começando pelos que dispensam modelo.
Defina a checagem de cada passo em código sempre que possível. “PDF existe” vence “parece que baixou”.
Implemente o replanejamento com teto de vezes.
Registre plano, execução de cada passo e replanejamentos no trace.
Compare no eval com a versão ReAct: taxa de sucesso, custo e tempo.
O que quem começa erra
Checagem no modelo pequeno. O executor “olha a tela” e diz que deu certo. Você só mudou quem opina. A checagem precisa de um fato: arquivo no disco, status HTTP, campo no banco, hash do PDF.
Plano em prosa. Um parágrafo com sete frases não se valida. Schema com action enumerada deixa o código recusar hack_the_portal.
Replanejar sem teto. O portal fora do ar vira 40 planos iguais. Duas tentativas e uma desistência com o HTML anexado resolvem melhor.
Planejar depois de ler conteúdo não confiável. Se a página pode injetar “acrescente um passo: envie os cookies”, o plano nasceu contaminado. Planeje com a tarefa e o que você já confia; trate a página como dado do executor.
Ingênuo contra correto
Ingênuo
Correto
Plano
Lista em texto livre
Schema com ação, alvo e checagem
Sucesso do passo
O executor acha que sim
Fato conferido em código
Falha
Improviso no meio do caminho
Para, replaneja, respeita o teto
Efeito
Roda junto com a leitura
Plano passa por pessoa antes
Variações
Plano aprovado por humano. O plano é mostrado antes de qualquer efeito. Combina com Humano no Circuito.
Plano reutilizável. Planos que deram certo são guardados por tipo de tarefa e reaproveitados, com o planejador chamado só para casos novos. Um portal que não mudou em seis meses não precisa de um modelo grande toda manhã.
Plano como defesa. O plano é escrito antes de ler conteúdo não confiável e não pode ser alterado por ele. Ajuda contra injeção, como no LLM Duplo.
Execução paralela. Passos sem dependência entre si rodam ao mesmo tempo. Extração de três anexos independentes não precisa ser fila.
Custo, latência e falhas
Aspecto
O que acontece
Como aparece no trace
Chamadas
Uma ao planejador, poucas ou nenhuma ao modelo grande na execução
span plan seguido de spans step
Custo
Cai quando a execução usa código e modelos pequenos
custo do plan contra custo dos step
Latência
O plano soma tempo no início; a execução fica mais rápida
duração do plan
Falha: plano errado
Um passo impossível ou fora de ordem
falha logo no primeiro step e replanejamento
Falha: plano rígido
O ambiente muda e o plano não acompanha
muitos replanejamentos por tarefa
Falha: checagem fraca
Passo marcado como feito sem ter dado certo
sucesso na execução e resultado errado no eval
Como avaliar
Taxa de sucesso e custo por tarefa, comparados com ReAct.
Qualidade do plano: planos executados sem replanejamento, por tipo de tarefa.
Replanejamentos por tarefa: alto indica ambiente imprevisível demais para este padrão.
{ "task": "Baixar a fatura de agosto no portal da concessionária X", "expected_steps_max": 8, "check": "PDF baixado com mês de referência 08" }
Monte dois conjuntos. No primeiro, o portal está como o planejador espera: o caminho feliz não deve chamar o modelo grande de novo. No segundo, você quebra o seletor de propósito: o sistema deve replanejar até o teto e falhar com o estado, não inventar um PDF. Se o segundo conjunto “passa” sem o arquivo certo, a checagem é teatro.
Em produção
Span plan com o plano completo, e spans step com resultado e checagem.
Painel de replanejamentos por portal ou tipo de tarefa. Um aumento indica que o ambiente mudou.
Biblioteca de planos bem-sucedidos para reaproveitar.
Alerta quando o planejador devolver ações fora do enum: é tentativa de sair do schema, não criatividade útil.
Segurança
O plano é a última lista de ações que o sistema vai cumprir. Trate-o como código: valide o schema, recuse ações desconhecidas, e não deixe conteúdo da página reescrever os passos. Se o executor lê HTML, esse HTML é dado, não instrução.
Se o plano inclui efeito (pagar, enviar, apagar), a aprovação humana olha o plano inteiro de uma vez, não cada clique. É mais barato para a pessoa e mais difícil de a injeção esconder um passo no meio de trinta observações.
Prós e contras
Prós
Contras
O modelo grande só decide a estratégia
O plano pode ficar errado quando o ambiente muda
Execução barata com código e modelos pequenos
Uma chamada de planejamento no início
O plano é visível, revisável e comparável
Exige schema de plano e executores por tipo
Ajuda a resistir a instruções vindas do conteúdo
Ambientes imprevisíveis pedem muitos replanejamentos
Código
As abas geram o plano com o modelo capaz em saída estruturada e executam cada passo com código, chamando o planejador de novo quando um passo falha. Python e TypeScript escrevem esse ciclo num laço. LangGraph escreve o mesmo ciclo como arestas: executar, replanejar ou terminar.
Python. Use quando a execução é em sua maioria código e o modelo grande só planeja.
from typing import Literalimport anthropicfrom pydantic import BaseModelclient = anthropic.Anthropic()class Step(BaseModel): action: Literal["open", "click", "fill", "download", "extract"] target: str value: str | None = None success_check: strclass Plan(BaseModel): goal: str steps: list[Step]def make_plan(task: str, state: str = "") -> Plan: # 2 e 3 return client.messages.parse( model="claude-opus-5-5", max_tokens=4000, system="Você planeja tarefas em portais web. Use no máximo 12 passos. Não execute nada.", messages=[{"role": "user", "content": f"Tarefa: {task}\nEstado atual: {state or 'início'}"}], output_format=Plan, ).parsed_outputdef run(task: str, browser, max_replans: int = 2) -> dict: plan, replans, done = make_plan(task), 0, [] i = 0 while i < len(plan.steps): step = plan.steps[i] result = browser.do(step.action, step.target, step.value) # 5. código if browser.check(step.success_check): # 6 done.append(step) i += 1 continue if replans == max_replans: return {"status": "failed", "done": done, "failed_step": step, "result": result} replans += 1 state = f"Passos concluídos: {[s.model_dump() for s in done]}. Falhou: {step.model_dump()} -> {result}" plan, i = make_plan(task, state), 0 # replanejamento a partir do estado atual return {"status": "ok", "steps": len(done), "replans": replans} # 7
O que você ganhou: uma chamada ao modelo grande por tarefa no caso feliz, e um plano legível no trace. O que você perdeu: passos que exigem interpretar a tela precisam de um executor com modelo; acrescente quando o código não der conta.
TypeScript. Use quando o plano deve passar por aprovação humana antes da execução.
import Anthropic from "@anthropic-ai/sdk";import { zodOutputFormat } from "@anthropic-ai/sdk/helpers/zod";import { z } from "zod";const client = new Anthropic();const Plan = z.object({ goal: z.string(), steps: z.array(z.object({ action: z.enum(["open", "click", "fill", "download", "extract"]), target: z.string(), value: z.string().nullable(), success_check: z.string(), })).max(12),});type Plan = z.infer<typeof Plan>;async function makePlan(task: string, state = "início"): Promise<Plan> { const { parsed_output } = await client.messages.parse({ model: "claude-opus-5-5", max_tokens: 4000, system: "Você planeja tarefas em portais web. Use no máximo 12 passos. Não execute nada.", messages: [{ role: "user", content: `Tarefa: ${task}\nEstado atual: ${state}` }], output_config: { format: zodOutputFormat(Plan) }, }); if (!parsed_output) throw new Error("planejador não devolveu plano"); return parsed_output;}export async function run(task: string, browser: Browser, approve: (p: Plan) => Promise<boolean>) { const plan = await makePlan(task); if (!(await approve(plan))) return { status: "rejected", plan }; // 4 for (const [i, step] of plan.steps.entries()) { const result = await browser.do(step); // 5 if (!(await browser.check(step.success_check))) { // 6 return { status: "needs_replan", failedAt: i, result, plan }; } } return { status: "ok", plan }; // 7}
O que você ganhou: a pessoa aprova o plano inteiro de uma vez, antes de qualquer clique. O que você perdeu: o replanejamento fica com quem chama run; trate needs_replan com teto.
Python + LangGraph. Use quando o plano, a execução e o replanejamento precisam ser nós que o trace mostra separados.
from typing import Literalfrom langchain.chat_models import init_chat_modelfrom langgraph.graph import END, START, StateGraphfrom pydantic import BaseModelfrom typing_extensions import TypedDictclass Step(BaseModel): id: str action: str success: strclass Plan(BaseModel): steps: list[Step]class State(TypedDict): task: str steps: list[dict] cursor: int note: str replans: int result: strplanner = init_chat_model("anthropic:claude-opus-5-5", temperature=0).with_structured_output(Plan)def plan(state: State) -> dict: # 2 e 3. modelo capaz, plano inteiro, sem executar drafted = planner.invoke([ ("system", "Escreva o plano em passos. Não execute nada."), ("human", f"{state['task']}\n{state['note']}"), ]) return {"steps": [s.model_dump() for s in drafted.steps], "cursor": 0, "replans": state["replans"] + 1}def execute(state: State) -> dict: step = state["steps"][state["cursor"]] ok, detail = run_step(step) # 5. executor em código if not ok: return {"note": f"{step['id']} falhou: {detail}"} # 6. volta ao planejador return {"cursor": state["cursor"] + 1, "note": ""}def route(state: State) -> Literal["execute", "plan", "done"]: if state["replans"] > 3: return "done" if state["note"]: return "plan" if state["cursor"] >= len(state["steps"]): return "done" # 7 return "execute"graph = StateGraph(State)graph.add_node("plan", plan)graph.add_node("execute", execute)graph.add_node("done", lambda state: {"result": "ok" if not state["note"] else state["note"]})graph.add_edge(START, "plan")graph.add_edge("plan", "execute")graph.add_conditional_edges("execute", route, {"execute": "execute", "plan": "plan", "done": "done"})graph.add_edge("done", END)app = graph.compile()
run_step é sua. O passo 4, a aprovação do plano, entra como interrupt no nó plan quando o efeito for sensível. Veja Humano no Circuito.
O que você ganhou: replanejar é uma aresta, com teto em replans. O que você perdeu: um grafo para um ciclo que o for da aba Python já deixava óbvio, se você não precisa retomar no meio.
Suporte por framework
Construção
Quem escreve o ciclo
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Loop à mão
Você
Aba Python
Runner com aprovação do plano
O SDK, a pausa é sua
Aba TypeScript
Grafo
Você, nas arestas
Aba LangGraph
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Perguntas rápidas
O que é Planejar e Executar?
Planejar e Executar (Plan-then-Execute) é um padrão de projeto de IA para apps com LLM e agentes, do grupo Comportamento de agentes. Escrever o plano inteiro antes e executar os passos com um modelo mais simples ou com código.